quinta-feira, 30 de julho de 2015

Encerramento e entrega dos certificados



Hoje à tarde, no auditório da UNOPAR, espaço gentilmente cedido pelo Sr. Erildo do Nascimento, ocorreu o encerramento da Oficina de Calceteiros / Acerta Pedra. Com duas brilhantes palestras proferidas pelo Erildo que discorreu sobre aspectos e curiosidades históricas envolvendo o calçamento e também a palestra do Sr. José Marques, engenheiro civil que falou sobre técnicas modernas de pavimentação, suas vantagens e desvantagens, além da questão bastante atual que é a sustentabilidade. 

O Sr. Prefeito Municipal, Dr. Paulo Célio, entregou os certificados a todos os participantes da oficina, enfatizando a importância de se formar turmas em um ofício que agonizava. Na oportunidade, o Erildo aproveitou para lançar mais uma ideia, a de recalçar o Beco do Mota, na técnica pé-de-moleque, originalmente usada para retirar a escória do garimpo da área das lavras, resolvendo dois problemas de uma só vez; limpando a área do garimpo e calçando as ruas do Arraial (na época era Arraial do Tijuco).

Ao sairmos, apesar de já estar combinado com a turma da limpeza de varrer a areia que foi deixada em cima das pedras, todos que nos viram, reclamaram - e com razão! A poeira que estava lá fazia dó! Mas o Adilson já mobilizou equipes da turma da limpeza para providenciar a retirada do excesso da areia.

Na reunião que houve pela manhã, com os principais envolvidos, tiramos várias conclusões, mas dentre elas, vou citar algumas: 

Não há como fazer sistematicamente o recalçamento de ruas por inteiro, pelo menos por enquanto. O Junno, do IPHAN, foi bem claro; e concordo com ele: a técnica deve ser usada a partir de agora em todos os locais em que houver uma intervenção, de maneira sistemática. Também que a revitalização é um processo lento e que deve ser feito gradualmente, de acordo com a necessidade; sem que se faça uma intervenção exclusivamente apenas para recompor os desníveis do calçamento. 

Esta recomposição deverá ser feita paulatinamente, à medida que houver necessidade de intervenções nas redes, seja de água, pluvial ou esgoto. Aí, poderá se fazer uma restauração de trechos que estejam envolvidos nas obras e também em áreas vizinhas, delimitando trechos de ruas completos, e não apenas a área da vala, por exemplo.

Entretanto, não se descartou a possibilidade de conseguir um grande projeto para uma determinada rua, como por exemplo, a Rua da Glória, já que nela se localiza um monumento de expressão, a Casa da Glória.

Eu concluí que, inicialmente, para dar um treinamento adicional às turmas, acatei a sugestão do Adilson: fazer uns trechinhos de ruas menores, que estão incomodando muita gente, como o final da Rua Macau de Cima, e na oportunidade, colocar dois dos funcionários que fizeram a oficina com mais dois, para repassar a técnica, oportunidade na qual eu já me dispus a ir dar uma palhinha - posso também fazer a tal cartilha que mencionei na postagem anterior.


O Dr. Paulo Célio se mostrou entusiasmado em continuar, acha que está de encontro com o desejo da população e que pretende sim, continuar a consertar trechos e noticiou que o IPHAN já autorizou, e em meados da semana que vem, já começa o processo de assinaturas - trâmites para retirada de pedras da Rua do Areião para fazer o tal tão desejado estoque de pedras e trocar o pavimento lá por asfalto. Sem este estoque de pedras, não há como planejar consertos de trechos de ruas - quando menos se espera, falta pedra, não tem como comprar e o serviço pára - isso não pode e nem deve acontecer.

Bom, o projeto foi bom, repercutiu muito bem, tem tudo para ir em frente, e enquanto isso, devemos dar uma manutenção no que já foi feito - depois de uns dias, depois que a areia caiu e encheu os buraquinhos, teremos que fazer uma "cata" lá no local, procurar cunhas frouxas, algum buraquinho, alguma falha. 

Tudo pode ser motivo de reclamação - não devemos dar chance a críticas, pelo menos as que podem ser evitadas. Para esta tarefa, seria bom só um ou dois camaradas, com uns dois carrinhos de areia lavada, para colocar nos locais que faltam. Esse cuidado é essencial. Deixei em negrito para quem me acompanha - não vamos deixar o local ao léu: é uma experiência, está sendo bem sucedida, mas não podemos abandonar.

E digo mais: para algo que não se faz costumeiramente há décadas, é passível haver erros - não podemos nos eximir de erros, mas para evitá-los, somos os responsáveis.

Deixo aqui dois agradecimentos especialíssimos: primeiro ao apadrinhamento sem precedentes pelo Sr. Paulo Célio, do meu projeto. e segundo, à participação decisiva da COPASA, que se ofereceu para financiar o projeto. Hoje, no encerramento, soube que não é a primeira (e nem deve ser a última) vez que a COPASA se manifesta a favor e projetos da comunidade. Isso é muito bom! 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Área aberta ao trânsito na quarta feira

Oito dias de serviço foram suficientes para o término do serviço. Amanhã, quinta feira, eu apenas pedi ao Norberto para ir com o rolinho para dar uma vibrada e uma compactada geral, para acabar de acertar umas pontas de cunhas, fazer a areia descer para as gretas. Mas o serviço já está pronto.Vejam como está:
Só depois que a areia for limpando, normalmente, é que vamos ver realmente como ficou.
De manhã, começando a recunhar os últimos canteiros

Depois de tudo pronto e limpo os restos, apagando a poeira

Como ficou ao final da tarde. Temos que esperar para ver o desenho limpo, só depois.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Cartilha de calceteria

Em primeiro lugar, obrigado pelo acesso.

Deixe um comentário, uma crítica, um recado - serão úteis e benvindos.

Desde o dia 17 de julho de 2015, está acontecendo a Oficina de Calceteiros / Acerta Pedra.
A obra propriamente dita teve início iniciou no dia 20 de julho, em frente à Catedral Metropolitana de Diamantina, numa área de 120m2

Antes de escrever sobre o assunto do título, vou deixar umas sugestões de leitura:

Para conhecer melhor o blog, sugiro uma sequência: primeiro, leia a postagem: "O folder da oficina", que é uma explicação rápida do que está acontecendo no centro da cidade.

Depois, se você se interessar mais, leia: "Projeto Acerta Pedra Diamantina 2012 repostagem..." ela conta toda a história, toda a lógica do projeto, como tive a ideia, etc.

Se você tem alguma crítica, sugiro que leia: "Respondendo às críticas mais comuns" - nesta postagem, eu respondo algumas das críticas e dúvidas mais comuns que eu li e ouvi. Talvez seja a sua dúvida ou crítica também.



Agora vamos ao assunto da postagem de hoje:

Estou pensando em escrever uma cartilha detalhando os pormenores da técnica recunhada. É uma lógica simples, fácil de pegar na prática, mas pensando bem, isso é para quem já a observa há muito tempo como eu e tem já entendido como funciona. Por exemplo: um erro bastante comum, eu diria até, unânime, em todas as reformas que foram feitas, salvo engano: a cobertura das valas após instalação das tubulações, sejam elas de luz, água ou esgoto, ou pluvial era feita (pelo menos que eu me lembre) com a própria piçarra do local. E isso é um erro que condena o trecho remendado ao fracasso. O material a ser colocado para compactar deve ser esta terra vermelha cascalhenta, com liga mas misturada com areia. Ela, após compactação, não cede e fica bastante rígida, tornando possível suportar o trânsito por cima. Outra vantagem deste material é que ele se compacta, mas tem a capacidade de absorver um pouco da umidade, pelos poros do cascalho, o que a piçarra não faz. Se o tempo inverna, a piçarra amolece e o chão começa a mexer, cedendo ao peso dos veículos. Na terra cascalhenta não. Ela se mantém firme. É a mesma terra usada em cascalhamento de estradas de terra. 


Outro mito que eu não acredito é a tal capacidade de absorver água que o calçamento recunhado tem. Vejam bem: segundo uma explicação razoável que tive recentemente, se contarmos as milhares de gretinhas num determinado percurso e se pensarmos que em cada gretinha desta um pouco de água é absorvido, tem razão de ser, mas por outro lado, se pensarmos nos milhões de litros de água que cada chuva traz consigo, esta absorção é ínfima e desprezível. A eficiência deverá vir mesmo da rede pluvial. E em segundo lugar, se eu pudesse decidir o tipo de forro do subsolo antes de receber o pavimento, eu escolheria a terra vermelha e por cima a cobertura de piche para impermeabilizar, antes de receber a areia lavada para o assentamento. Bom, mas depois eu continuo com estas notas teóricas sobre a cartilha.

Vou postar fotos de hoje, do serviço muito adiantado, quase pronto.
Um "zelador" que até dorme na obra...

Balbino e Tarcísio no recunhamento; a parte que demanda mais paciência, tampando cada buraquinho.

A turma acabando de completar os canteiros e nosso zelador a postos...

O serviço hoje, no encerramento do expediente - mais de dois terços terminado - acho que amanhã, se Deus quiser, deveremos terminar ou faltar bem pouco para isso.
Observe, abaixo, à esquerda, já foi liberado a passagem para os táxis, num trecho já recunhado - a passagem de carros faz o arranjo de pedras ficar mais estável e apertado, com a entrada da areia no meio das frestas.

sábado, 25 de julho de 2015

História recente do projeto e intenções futuras


Em 2014, não me lembro direito a data, o Sr. Prefeito me chamou para avisar que estaria disposto a iniciar o projeto em janeiro deste ano e que o Juninho (secretário de Cultura) é que seria o meu contato maior, o organizador do projeto. 

Devido a detalhes técnicos, o nome teria que mudar para que pudesse ser financiado, mas deu-se um jeito de misturar os dois nomes para atender um pedido meu e deu certo.
E ficou Oficina de Calceteiros/Acerta Pedra.

      Durante o desenvolvimento dos acordos, outras empresas iam entrar também como financiadoras, como a CEMIG e FIEMG, mas devido a fatos da política nacional e a crise financeira, esta parceria foi adiada. A COPASA se manteve no projeto. Ficou claro que existe uma intenção da COPASA de treinar o pessoal que atua na manutenção da rede. Tanto é que nesta primeira etapa (vai haver outras! Que bom!) a contrapartida que foi solicitada seria o treinamento prioritário da sua turma e assim está sendo. 
         Isso tem uma lógica importante e sabemos que dentre as empresas que atuam intervindo no pavimento para ter acesso ao subsolo, a empresa que mais atua é sem dúvida, a COPASA. Água e esgoto, constantemente necessitam de manutenção, intervenção, novas ligações. Nada mais lógico que o treinamento do pessoal que atua diretamente no pavimento da cidade. Esta atitude foi louvável.
       No início (anos atrás) eu pensava que, para que o projeto acontecesse, estas empresas (CEMIG, COPASA, telefonia) seriam convidadas a dar manutenção preventiva na rede subterrânea para a prefeitura realizar a restauração, mas esta inversão nas iniciativas foi providencial.
     Por outro lado, em contato mais direto com a turma da Prefeitura, percebi que todos os funcionários já sabiam da técnica do calçamento recunhado. Só não o faziam porque nunca isso foi proposto. Uma coalizão de ideias é importante; o Acerta Pedra permitiu que todos se reunissem para o processo ser completo; todos sabem um pouquinho, mas não é suficiente; quando a turma que atua, junta com os antigos, junto com o meu ideal de restaurar grandes trechos, aí, o pensamento se completa. 
      É bem diferente a gente pensar em remendos ao invés de restaurar grandes trechos. É mais ou menos assim: para os remendos, vale apenas a técnica de rejuntar com lascas, abolindo o cimento, mas não restaura o conjunto. Para realinhar, re-nivelar, voltar os traços para os devidos lugares, restaurar as “linhas”, só mesmo, restaurando trechos inteiros de ruas, só mesmo retirando a terra velha, ressecada e repondo uma base compacta e nivelada, do jeito que estamos fazendo em frente à Catedral.
       Assim, temos a noção do conjunto. Mas para os remendos, já vale a intenção de todos se proporem de rejuntar apenas com lascas e abolir o cimento, porque além de ser muito melhor, é mais firme e o trânsito não precisa ficar impedido (só para informação: para a completa cura do cimento, é necessário mais de dez dias!). Remendar com lascas é mais prático, porque, após o remendo com cunhas de pedra, é só jogar areia e mandar carro passar para ir apertando mais e mais – o trânsito ajuda!

      Outro detalhe que vou deixar em negrito: a compactação do solo para receber os remendos de valas também é muito importante! Ao se fazer uma vala, é preciso ter um estoque de cascalho vermelho (e já tem algum) no fácil para colocar no lugar da piçarra - piçarra cede e deve ser abolida nos remendos de valas. Fez a vala, joga a piçarra fora e volta com cascalho vermelho.

          Em relação à participação da prefeitura por meio da Secretaria de Obras, representada pelo Daniel, com seus chefes de turma, Adilson e Norberto, é importante porque a prefeitura é que terá a iniciativa de restaurar trechos de ruas maiores. Quando isso for feito, após retiradas as pedras, a COPASA será chamada para dar manutenção na rede, antes da recomposição final das pedras. Vou dar dois exemplos: já tem dois trechos mais ou menos marcados para serem restaurados; não são grandes, mas é assim mesmo que tem que ser – ir devagar até pegar o ritmo. O primeiro é ali, no final da Macau de Cima, chegando na pracinha da Santa Casa.          
        Planeja-se retirar mais ou menos uns trinta metros de calçamento e renivelar o piso para os carros não rasparem o fundo no chão. Do mesmo jeito, no início da Rua Espírito Santo, no entroncamento com a Rua Rio Grande. Eu sei que a turma já está no ponto e tendo verba e pedras para estas obras, sei que será um sucesso!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

O entusiasmo da turma

Não gosto de ficar confessando isso, mas sou péssimo para nomes de pessoas. Já fiz curso para corrigir, mas não adiantou. Para contar a vocês os nomes de todos da turma do nosso projeto, tive que pedir para escrever num papel para eu colocar no blog agora à noite.

Da turma da Prefeitura, liderada por Adilson:
Domingos,
Marquim Fogueteiro,
Manim,
Kinha,
Irmão,
Zé Lindo.
Todos são profissionais treinados em várias especialidades inclusive de calceteiros, mas que nunca haviam feito um trecho de calçamento recunhado, justo porque não se usava mais. Todos eles já tinham ouvido falar, sabiam em parte como se fazia, mas a totalidade da técnica, os segredinhos, as manhas, é só fazendo mesmo para as pessoas pegarem.

O Balbino e o Tarcísio são os calceteiros mestres, com o espírito de liderança inato deles, cada um saiu para um lado com uma parte da turma, até que soltaram as duplas para trabalharem em separado.

Além destes, nos dois dias que o serviço foi mais bravo, tivemos um reforço da turma do Norberto, que foram uns oito, me parece, mas não peguei os nomes. Precisava, porque a gente tinha que fazer o negócio sair logo. Ficar no quebra-quebra muitos dias não ia dar boa impressão. 

Sei que quebramos tudo num dia só. No outro, tiramos a terra e recolocamos a nova. Teve uma hora lá, na segunda feira, o frio estava arrebentando e eu sem querer sair de lá para buscar paletó, um deles veio me gozando: deixa eu te dar uma caneta que você vai esquentar - a "caneta" era uma alavanca - com cinco minutos que eu comecei a quebrar com a tal "caneta", já não tinha mais frio e já começava a suar - santo remédio! Sei que botamos prá quebrar!

Da turma da COPASA, liderados por Aderilson, foram cinco:
Juninho,
Cláudio,
Diego,
Maurício,
Alan.

Estes da COPASA, depois que ficou claro que eu queria que refizéssemos um "X" que fora desmanchado ali no meio da obra, eles se entusiasmaram de um jeito que ninguém podia encostar nos canteiros do "X" - só eles! Isso é que é bonito!

Aos poucos, a turma, que nos primeiros dias ficava meio tensa por causa do serviço chato de arrancar pedras e depois tirar terra. Mas anteontem, ontem e hoje, veio a parte boa, a parte que a gente começa a ver o serviço saindo, a diferença que vai ser quando ficar pronto, o povo vendo e gostando, todo mundo parando e mexendo com um e com outro. 

O tempo passa, o serviço rende a a gente nem vê. Quando assusta,o negócio já está longe, adiantado.

No finalzinho da tarde, combinei com a turma para dar uma faxina lá, tirar todos os restos de pedra e terra, varrer e deixar tudo no ponto da turistada tirar retrato amanhã. A gente sabe que vai ter vesperata, vai ter formatura da Odontologia, a cidade vai ficar empapuçada de gente. 

O projeto acontecer nesta época veio a calhar porque muita gente está de férias e pode ir lá conhecer um pouco sobre as nossas pedras. Por falar em pedras, deixamos uma baita pedra bem na borda, para todos verem como eles são grossas e pesadas.

Deixamos tudo limpo, justamente para todos poderem apreciar e tirar fotos desta bela arte do nosso povo, uma exclusividade desta terrinha.

Um abraço a toda a turma. Na segunda feira brava tamo lá garrado!
Uma foto de como ficou o canteiro de obras ontem e hoje à tarde, depois do serviço

Esta foi de ontem

Hoje, já vemos metade dos canteiros já preenchidos (a parte mais trabalhosa)
Percebam como que de cima à esquerda, para baixo à direita, aparecem cada vez mais pedras brancas (as novas). Isso porque no início, fomos usando as antigas que davam para aproveitar e à medida que is chegando mais pedras novas, usamos mais delas, que são de ótima qualidade, bem duras - as tais pedras mulatinhas (mas só ficam mulatinhas mesmo depois que os carros passam e as sujam de borracha)

Nesta hora, a gente já tinha lavado as pedras todas, justamente para o povo amanhã admirar o serviço e fazer fotos no limpo.
Uma parte da turma aí: Eu fiquei à direita com o Tarcísio. Ele leva melancia para lanchar todo dia, mas fica com vergonha de comer e não oferecer o povo, por isso, fica com ela escondida debaixo da camisa. 

Um pedido de desculpas

Quero fazer um pedido de desculpas publicamente por não ter me referido antes ao apoio dado pelo blog "Passadiço Virtual". 


Não foi intencional, mas falhei pelo esquecimento. Agora venho admitir a falha e reconhecer o grande apoio que foi dado ao projeto pelas postagens feitas pelo Fernando, todas as vezes que lhe enviava. Dias atrás mesmo, enviei mensagem a ele, contando do lançamento, mas..... ao mencionar os apoios recebidos, não me referia ao apoio do Passadiço Virtual! Que falha! Me desculpe, Fernando!

Faço esta postagem com esta intenção - pedir desculpas e ao mesmo tempo, agradecer ao Fernando pela parceria, sempre pronto a ajudar; ele que me ajudou também a construir este blog, na época. 

Mas pelo que eu conheço do Fernando, acho que será capaz de compreender e aceitar minhas desculpas. Fernando: muito obrigado pelo apoio no Passadiço Virtual, um veículo de comunicação importante e idôneo.





Grande abraço 

Ricardo

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Para você que acessa o blog pela primeira vez...

Em primeiro lugar, obrigado pelo acesso.

Deixe um comentário, uma crítica, um recado - serão benvindos.

Desde o dia 17 de julho de 2015, está acontecendo a Oficina de Calceteiros / Acerta Pedra.

O nome mudou porque pela parceria que foi feita entre a prefeitura e a COPASA, achou-se por bem incluir o nome Oficina de calceteiros, justamente porque é um treinamento de profissionais do ramo, na arte da calcetaria. Eu entrei como mentor do projeto, uma participação paralela à coordenação do projeto, que está sendo feita pela secretaria de cultura e de obras da prefeitura. A COPASA participa também com seis funcionários que estão participando da oficina. Também a prefeitura participa com seis funcionários também.

Bom: para conhecer melhor o blog, sugiro uma ordem para você ler: primeiro, leia a postagem: "O folder da oficina", que é uma explicação rápida do que está acontecendo no centro da cidade.

Depois, se você se interessar mais, leia a postagem: "Projeto Acerta Pedra Diamantina 2012 repostagem..." ela conta toda a história, toda a lógica do projeto, como tive a ideia, etc. Você vai conhecer mais um pouco sobre o calçamento de Diamantina.

Depois, talvez, se você teve acesso a uma outra reportagem sobre o evento, ouviu ou tem alguma crítica a fazer, leia: "Respondendo às críticas publicadas pela internet" - nesta postagem, eu respondo algumas das críticas e dúvidas mais comuns que eu li e ouvi. Talvez seja a sua dúvida ou crítica também.

Bom, hoje vou escrever algo sobre pagamentos e recebimentos. Todos ficam curiosos não é mesmo?
Pois bem: em primeiro lugar, vou falar sobre minha participação que é voluntária, desde o início, em 2007, quando lancei o projeto. O fiz por um ideal e minha recompensa é ver o serviço pronto. Nem me importo de ficar uma ou duas semanas das férias por conta da obra - é um gosto ver o pessoal entusiasmado vendo o serviço saindo no capricho (vejam abaixo as fotos).

Quando fiz quinze anos, ganhei uma bicicleta de pneu fino e eu ficava injuriado porque ele ficava "batendo" nas quinas das pedras. Desta época, passei a prestar mais atenção no calçamento e nos estilos, fui olhando e aprendendo por mim mesmo. Meu projeto é para que este calçamento seja melhor, seja refeito aos poucos e para mim, isso representa a satisfação de ter um desejo realizado.

Um gasto: PEDRAS - as pedras, depois de retiradas, não dá para voltar exatamente no mesmíssimo lugar, só se o local fosse fotografado, as pedras numeradas e codificadas, mas como em frente à Catedral a bagunça era generalizada, no local onde descalçamos, este registro não foi feito e nem teria sentido. Bom, as pedras ao serem recolocadas, muitas serão perdidas, muitas quebram, muitas são cortadas, muitas estavam já "podres" (esfarinhando). 

Tem que haver uma reposição. Também, em áreas que tinha cimento como rejunte, este espaço vai ser ocupado com pedras. 

Ou seja: a maior despesa nesta empreitada é com as pedras. Do orçamento que foi calculado e doado pela COPASA, mais da metade foi para comprar pedras novas.

O restante do dinheiro serviu para comprar ferramentas, areia, lanche para a turma todos os dias, banner que colocamos lá na obra e os honorários dos calceteiros convidados para dar o curso. Ah! E tem mais: as ferramentas tiveram que ser muitas de cada; muitas colheres, muitas marretas, muitas linhas, muitas réguas, etc, pois são doze pessoas aprendendo o ofício. Sem contar que estamos torcendo que tudo ocorra bem, que nada dê errado ao ponto de comprometer o orçamento, que não demore muito. Existem muitos receios e eu não tenho medo de expor isso publicamente. ESTE É UM PROJETO PILOTO - vamos aprender muito com ele, como: custos, tempo de execução, quantidade de material, tudo isso, para empregar em futuros projetos de restauração de outros trechos, desta vez, maiores e mais arrojados. Lembrando mair uma vez que é uma técnica que não é usada há mais de SESSENTA ANOS! Uma coisa é espalhar pedras, alinhar, nivelar e concretar em volta. Outra coisa é usar o dobro ou mais do dobro de pedras, meticulosamente lapidadas para preencher todo o espaço. é muito diferente, muito mais demorado e principalmente - EXCLUSIVIDADE DE DIAMANTINA!

Bom, depois de toda estas explicações, vou postar uma foto de hoje - hoje o serviço andou muito! Ao final da tarde, o local ficou muito bacana! Estamos refazendo um "X" que tinha sido desmanchado com o tempo, um "X" exclusivo, que eu nunca vi em outro local daqui - só tem na direção da porta da Catedral. Soube, por meio do Wander Conceição, que aquela praça foi recalçada em comemoração aos cem anos de Diamantina, pelo prefeito Joubert Guerra e por isso também toma o nome dele. então, desde 1938, aquele trecho está sofrendo deterioração e sem receber manutenção. Estamos refazendo uma arte de 72 anos atrás! Vejam como está ficando bacana.
Um croqui, antes de iniciar a obra

A turma no batente - assentando os "traços"
Hoje à tarde (quinta feira) - como está. Veja o "X" à esquerda.

Uma vista de todo o canteiro de obras. Observe as "linhas" longitudinais e as transversais, formando os "canteiros". Na esquerda, embaixo, um canteiro já foi preenchido com os "matacões". Falta só recunhar, mas o recunhamento é feito depois de tudo assentado, tudo de uma vez. A turma toda catando os menores buraquinhos, as menores frestas e socando lascas de pedra em todos os cantos.
Feito isso, o conjunto toma uma rigidez que pode abrir ao trânsito logo de cara. 
Estão vendo um banquinho pertinho da placa de proibido estacionar? Bem na direção do holofote? Pois bem temos seis banquinhos lá. Servem para você, você mesmo, se quiser, vá lá e vá sentar-se conosco, conversar, olhar, palpitar.... e sentado no banquinho! Lhe aguardamos lá!