sexta-feira, 24 de julho de 2015

O entusiasmo da turma

Não gosto de ficar confessando isso, mas sou péssimo para nomes de pessoas. Já fiz curso para corrigir, mas não adiantou. Para contar a vocês os nomes de todos da turma do nosso projeto, tive que pedir para escrever num papel para eu colocar no blog agora à noite.

Da turma da Prefeitura, liderada por Adilson:
Domingos,
Marquim Fogueteiro,
Manim,
Kinha,
Irmão,
Zé Lindo.
Todos são profissionais treinados em várias especialidades inclusive de calceteiros, mas que nunca haviam feito um trecho de calçamento recunhado, justo porque não se usava mais. Todos eles já tinham ouvido falar, sabiam em parte como se fazia, mas a totalidade da técnica, os segredinhos, as manhas, é só fazendo mesmo para as pessoas pegarem.

O Balbino e o Tarcísio são os calceteiros mestres, com o espírito de liderança inato deles, cada um saiu para um lado com uma parte da turma, até que soltaram as duplas para trabalharem em separado.

Além destes, nos dois dias que o serviço foi mais bravo, tivemos um reforço da turma do Norberto, que foram uns oito, me parece, mas não peguei os nomes. Precisava, porque a gente tinha que fazer o negócio sair logo. Ficar no quebra-quebra muitos dias não ia dar boa impressão. 

Sei que quebramos tudo num dia só. No outro, tiramos a terra e recolocamos a nova. Teve uma hora lá, na segunda feira, o frio estava arrebentando e eu sem querer sair de lá para buscar paletó, um deles veio me gozando: deixa eu te dar uma caneta que você vai esquentar - a "caneta" era uma alavanca - com cinco minutos que eu comecei a quebrar com a tal "caneta", já não tinha mais frio e já começava a suar - santo remédio! Sei que botamos prá quebrar!

Da turma da COPASA, liderados por Aderilson, foram cinco:
Juninho,
Cláudio,
Diego,
Maurício,
Alan.

Estes da COPASA, depois que ficou claro que eu queria que refizéssemos um "X" que fora desmanchado ali no meio da obra, eles se entusiasmaram de um jeito que ninguém podia encostar nos canteiros do "X" - só eles! Isso é que é bonito!

Aos poucos, a turma, que nos primeiros dias ficava meio tensa por causa do serviço chato de arrancar pedras e depois tirar terra. Mas anteontem, ontem e hoje, veio a parte boa, a parte que a gente começa a ver o serviço saindo, a diferença que vai ser quando ficar pronto, o povo vendo e gostando, todo mundo parando e mexendo com um e com outro. 

O tempo passa, o serviço rende a a gente nem vê. Quando assusta,o negócio já está longe, adiantado.

No finalzinho da tarde, combinei com a turma para dar uma faxina lá, tirar todos os restos de pedra e terra, varrer e deixar tudo no ponto da turistada tirar retrato amanhã. A gente sabe que vai ter vesperata, vai ter formatura da Odontologia, a cidade vai ficar empapuçada de gente. 

O projeto acontecer nesta época veio a calhar porque muita gente está de férias e pode ir lá conhecer um pouco sobre as nossas pedras. Por falar em pedras, deixamos uma baita pedra bem na borda, para todos verem como eles são grossas e pesadas.

Deixamos tudo limpo, justamente para todos poderem apreciar e tirar fotos desta bela arte do nosso povo, uma exclusividade desta terrinha.

Um abraço a toda a turma. Na segunda feira brava tamo lá garrado!
Uma foto de como ficou o canteiro de obras ontem e hoje à tarde, depois do serviço

Esta foi de ontem

Hoje, já vemos metade dos canteiros já preenchidos (a parte mais trabalhosa)
Percebam como que de cima à esquerda, para baixo à direita, aparecem cada vez mais pedras brancas (as novas). Isso porque no início, fomos usando as antigas que davam para aproveitar e à medida que is chegando mais pedras novas, usamos mais delas, que são de ótima qualidade, bem duras - as tais pedras mulatinhas (mas só ficam mulatinhas mesmo depois que os carros passam e as sujam de borracha)

Nesta hora, a gente já tinha lavado as pedras todas, justamente para o povo amanhã admirar o serviço e fazer fotos no limpo.
Uma parte da turma aí: Eu fiquei à direita com o Tarcísio. Ele leva melancia para lanchar todo dia, mas fica com vergonha de comer e não oferecer o povo, por isso, fica com ela escondida debaixo da camisa. 

Um pedido de desculpas

Quero fazer um pedido de desculpas publicamente por não ter me referido antes ao apoio dado pelo blog "Passadiço Virtual". 


Não foi intencional, mas falhei pelo esquecimento. Agora venho admitir a falha e reconhecer o grande apoio que foi dado ao projeto pelas postagens feitas pelo Fernando, todas as vezes que lhe enviava. Dias atrás mesmo, enviei mensagem a ele, contando do lançamento, mas..... ao mencionar os apoios recebidos, não me referia ao apoio do Passadiço Virtual! Que falha! Me desculpe, Fernando!

Faço esta postagem com esta intenção - pedir desculpas e ao mesmo tempo, agradecer ao Fernando pela parceria, sempre pronto a ajudar; ele que me ajudou também a construir este blog, na época. 

Mas pelo que eu conheço do Fernando, acho que será capaz de compreender e aceitar minhas desculpas. Fernando: muito obrigado pelo apoio no Passadiço Virtual, um veículo de comunicação importante e idôneo.





Grande abraço 

Ricardo

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Para você que acessa o blog pela primeira vez...

Em primeiro lugar, obrigado pelo acesso.

Deixe um comentário, uma crítica, um recado - serão benvindos.

Desde o dia 17 de julho de 2015, está acontecendo a Oficina de Calceteiros / Acerta Pedra.

O nome mudou porque pela parceria que foi feita entre a prefeitura e a COPASA, achou-se por bem incluir o nome Oficina de calceteiros, justamente porque é um treinamento de profissionais do ramo, na arte da calcetaria. Eu entrei como mentor do projeto, uma participação paralela à coordenação do projeto, que está sendo feita pela secretaria de cultura e de obras da prefeitura. A COPASA participa também com seis funcionários que estão participando da oficina. Também a prefeitura participa com seis funcionários também.

Bom: para conhecer melhor o blog, sugiro uma ordem para você ler: primeiro, leia a postagem: "O folder da oficina", que é uma explicação rápida do que está acontecendo no centro da cidade.

Depois, se você se interessar mais, leia a postagem: "Projeto Acerta Pedra Diamantina 2012 repostagem..." ela conta toda a história, toda a lógica do projeto, como tive a ideia, etc. Você vai conhecer mais um pouco sobre o calçamento de Diamantina.

Depois, talvez, se você teve acesso a uma outra reportagem sobre o evento, ouviu ou tem alguma crítica a fazer, leia: "Respondendo às críticas publicadas pela internet" - nesta postagem, eu respondo algumas das críticas e dúvidas mais comuns que eu li e ouvi. Talvez seja a sua dúvida ou crítica também.

Bom, hoje vou escrever algo sobre pagamentos e recebimentos. Todos ficam curiosos não é mesmo?
Pois bem: em primeiro lugar, vou falar sobre minha participação que é voluntária, desde o início, em 2007, quando lancei o projeto. O fiz por um ideal e minha recompensa é ver o serviço pronto. Nem me importo de ficar uma ou duas semanas das férias por conta da obra - é um gosto ver o pessoal entusiasmado vendo o serviço saindo no capricho (vejam abaixo as fotos).

Quando fiz quinze anos, ganhei uma bicicleta de pneu fino e eu ficava injuriado porque ele ficava "batendo" nas quinas das pedras. Desta época, passei a prestar mais atenção no calçamento e nos estilos, fui olhando e aprendendo por mim mesmo. Meu projeto é para que este calçamento seja melhor, seja refeito aos poucos e para mim, isso representa a satisfação de ter um desejo realizado.

Um gasto: PEDRAS - as pedras, depois de retiradas, não dá para voltar exatamente no mesmíssimo lugar, só se o local fosse fotografado, as pedras numeradas e codificadas, mas como em frente à Catedral a bagunça era generalizada, no local onde descalçamos, este registro não foi feito e nem teria sentido. Bom, as pedras ao serem recolocadas, muitas serão perdidas, muitas quebram, muitas são cortadas, muitas estavam já "podres" (esfarinhando). 

Tem que haver uma reposição. Também, em áreas que tinha cimento como rejunte, este espaço vai ser ocupado com pedras. 

Ou seja: a maior despesa nesta empreitada é com as pedras. Do orçamento que foi calculado e doado pela COPASA, mais da metade foi para comprar pedras novas.

O restante do dinheiro serviu para comprar ferramentas, areia, lanche para a turma todos os dias, banner que colocamos lá na obra e os honorários dos calceteiros convidados para dar o curso. Ah! E tem mais: as ferramentas tiveram que ser muitas de cada; muitas colheres, muitas marretas, muitas linhas, muitas réguas, etc, pois são doze pessoas aprendendo o ofício. Sem contar que estamos torcendo que tudo ocorra bem, que nada dê errado ao ponto de comprometer o orçamento, que não demore muito. Existem muitos receios e eu não tenho medo de expor isso publicamente. ESTE É UM PROJETO PILOTO - vamos aprender muito com ele, como: custos, tempo de execução, quantidade de material, tudo isso, para empregar em futuros projetos de restauração de outros trechos, desta vez, maiores e mais arrojados. Lembrando mair uma vez que é uma técnica que não é usada há mais de SESSENTA ANOS! Uma coisa é espalhar pedras, alinhar, nivelar e concretar em volta. Outra coisa é usar o dobro ou mais do dobro de pedras, meticulosamente lapidadas para preencher todo o espaço. é muito diferente, muito mais demorado e principalmente - EXCLUSIVIDADE DE DIAMANTINA!

Bom, depois de toda estas explicações, vou postar uma foto de hoje - hoje o serviço andou muito! Ao final da tarde, o local ficou muito bacana! Estamos refazendo um "X" que tinha sido desmanchado com o tempo, um "X" exclusivo, que eu nunca vi em outro local daqui - só tem na direção da porta da Catedral. Soube, por meio do Wander Conceição, que aquela praça foi recalçada em comemoração aos cem anos de Diamantina, pelo prefeito Joubert Guerra e por isso também toma o nome dele. então, desde 1938, aquele trecho está sofrendo deterioração e sem receber manutenção. Estamos refazendo uma arte de 72 anos atrás! Vejam como está ficando bacana.
Um croqui, antes de iniciar a obra

A turma no batente - assentando os "traços"
Hoje à tarde (quinta feira) - como está. Veja o "X" à esquerda.

Uma vista de todo o canteiro de obras. Observe as "linhas" longitudinais e as transversais, formando os "canteiros". Na esquerda, embaixo, um canteiro já foi preenchido com os "matacões". Falta só recunhar, mas o recunhamento é feito depois de tudo assentado, tudo de uma vez. A turma toda catando os menores buraquinhos, as menores frestas e socando lascas de pedra em todos os cantos.
Feito isso, o conjunto toma uma rigidez que pode abrir ao trânsito logo de cara. 
Estão vendo um banquinho pertinho da placa de proibido estacionar? Bem na direção do holofote? Pois bem temos seis banquinhos lá. Servem para você, você mesmo, se quiser, vá lá e vá sentar-se conosco, conversar, olhar, palpitar.... e sentado no banquinho! Lhe aguardamos lá!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Primeiro contra-tempo do projeto

Hoje de manhã, quarta feira, seria o início do assentamento das linhas para formação dos canteiros. Chegamos e logo em seguida, o rolinho compactador também chegou. Compactou que foi uma beleza. Balbino e Tarcísio a postos, desde 15 para as oito.

Na terça feira, quando fui com ao Bonssucesso (perto de Curralinho) escolher a terra para o assentamento das pedras (não pode ser nem argilosa demais sem solta demais, como o saibro). Fui no intuito de escolher esta terra e também trazer a segunda caçamba de cascalho para repor no local, já que havíamos retirado duas caçambas de material velho, ressecado do canteiro.

No caminho, paramos para escolher a terra, dentro de um local já cedido para a prefeitura e que estivesse perto da máquina escavadeira. Esperei carregar o cascalho e ficou combinado do Norberto voltar ainda naquela tarde, carregar a terra escolhida e voltar, para no dia seguinte, já estar no canteiro de obras. Pois bem: ao chegarmos no centro com o cascalho, já eram 16:30. Não daria tempo para ele voltar ao Bonssucesso de novo para carregar a terra.

Este foi o contratempo. Hoje de manhã (quarta), houve um desencontro com o operador da carregadeira que teve que deslocar a máquina para um outro local , com outra obra e ele só conseguiu carregar bem mais tarde, chegando aqui depois do meio dia, sem almoço, mas mesmo assim, me ligou para eu ir com ele ao centro para descarregar onde eu indicasse para não atrapalhar o serviço.

Neste meio-tempo, na obra, tive que dispensar a turma, lá pelas 10 da manhã, já que por telefone, nos comunicou o ocorrido. Combinei com a turma então, que a gente poderia voltar às 13 horas, para compensar um pouco à tarde e todos concordaram. A terra foi descarregada junto com a chegada da turma, uma da tarde. Perdemos uma manhã de serviço, mas foi obra do destino mesmo, não havia com prever isso. É mandar bola para a frente. Mas logo que a terra chegou, a turma parece que ligou o motorzinho e mandou ver no assentamento de pedras.
Vou colocar umas fotos agora.

O rolinho compactando o cascalho

A turma iniciando o assentamento das linhas - estas da beirada são de 40 cm.

Outra turma pegou do outro lado assentando e distribuindo a terra 

Ao final do dia, como está. Amanhã espero que o serviço renda muito mais, pois já temos o material no local e a turma já pegou o ritmo; cada um na sua função - eles mesmo se organizam e o negócio vai que nem um relojinho.

O folder da oficina


Esta é a capa do folder que conseguimos fazer por meio de patrocínios. Por dentro deste folder que conseguimos fazer por meio de patrocínios:
Abaixo, vou colar o texto que vem por dentro deste folder:


Conheça um pouco do Projeto Acerta Pedra

Um dos aspectos marcantes do Centro Histórico de Diamantina é o calçamento em pedras. Antigamente as ruas foram recobertas por pedras oriundas do garimpo, que eram roliças e davam  aspecto de um doce comum na região, o pé-de-moleque. Em meados dos anos 1940 a 1960, iniciou-se a renovação do calçamento das ruas da cidade com um novo estilo de pedras e também na disposição das mesmas. Chamado de calçamento romano ou calçamento “recunhado” era feito com as chamadas “pedras-laje” e veio para substituir o pé-de-moleque.
Este novo estilo, praticamente único no Brasil, inspirado nas calçadas da Roma antiga, se caracteriza por ter as pedras perfeitamente encaixadas, sem espaços entre elas, sendo que as próprias pedras fornecem a estabilidade ao conjunto, pelo fato de serem colocadas apertadas umas às outras, daí o nome: “recunhado” – uma alusão às cunhas de pedra que as apertam.
Dentre as pedras-laje, as “capistranas” se destacam por serem mais largas, por estarem enfileiradas no meio da rua e segundo o saber local, serviam para as damas passarem mais confortavelmente com seus saltos. As “linhas” ou “traços” são pedras-laje lapidadas que servem para demarcar as vias de tráfego. O entrecruzamento destas “linhas”, formam os “canteiros”, espaços geralmente de dois por dois metros, que são preenchidos por “matacões” – pedras-laje sem forma definida, que preenchem os “canteiros” para depois serem recunhados com as lascas de pedra, provenientes do próprio processo de lapidação.
Estas técnicas eram de domínio dos calceteiros, na maioria das vezes funcionários públicos. Por demandar mais tempo para ser realizado, o calçamento recunhado caiu no desuso e as pedras-laje passaram a ser simplesmente colocadas no solo e os espaços entre elas preenchidos com cimento, acelerando o processo. Entretanto, ao usar o cimento como rejunte, as pedras se deslocam com mais facilidade até se soltarem completamente, gerando desníveis que dificultam o caminhar e o trânsito de veículos.



Com o objetivo de resgatar a técnica do calçamento recunhado a fim de formar mão-de-obra jovem de modo a possibilitar recuperação do calçamento de maneira gradual, mas contínua, a Prefeitura de Diamantina, através da Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio estabeleceu parcerias com o Projeto Acerta Pedra do diamantinense Ricardo Lopes Rocha e a COPASA para a realização da Oficina de Calceteiros/Acerta Pedra.
O calçamento de Diamantina é uma mostra da arte dos nossos antepassados, que, instintivamente, usavam a escória do garimpo para calçar nossas ruas. Uma lição de arte e sustentabilidade.
Devido ao fato de primar pela calma, amor ao ofício e capricho na criação de mosaicos meticulosamente trabalhados, esta arte estava na contramão do corre-corre dos nossos tempos, por isso foi relegada ao esquecimento.
O Projeto Acerta Pedra contou com o apoio do círculo de amigos do seu idealizador, do IPHAN, dos jornais Voz de Diamantina e Gazeta Tijucana, Rádios 98 FM, Rádio Cidade, Rádio 97 FM e TV Vale.
Com o apoio definitivo do Prefeito Paulo Célio de Almeida Hugo, dos secretários de cultura, Walter Cardoso França Júnior, e de obras, Daniel Martins da Silva, foi possível tornar realidade este projeto piloto que vem para servir de vitrine a futuros recalcamentos de trechos de ruas em Diamantina.
Fruto da criatividade dos nossos antepassados, temos sob nossos pés, uma verdadeira obra de arte que continua prestando serviço e sendo usada diariamente sob a forma de pavimento.
Seja bem vindo ao canteiro de obras da Oficina de calceteiros Acerta Pedra.
Esteja à vontade para apreciar esta arte genuinamente diamantinense.



Equipe da Oficina de Calceteiros – Acerta Pedra

terça-feira, 21 de julho de 2015

Respondendo às críticas publicadas pela internet

Ontem, um jornal on-line publicou matéria sobre o projeto que está acontecendo em frente à Catedral.
Dentre os comentários feitos, eu li alguns de pessoas que se mostraram insatisfeitas pelo fato de não ter sido feito em seu bairro, outras ironizando o evento, relacionando-o a campanha política, outros perguntando porque não fazer em outro local, que não o centro da cidade.

Em resposta a estas críticas, advindas de leitores diversos, vou responder as que estou me lembrando:
Em relação ao local: a escolha do local demandou muito tempo e muitas opiniões. Por ser um primeiro trecho, teríamos que escolher um local que incomodasse minimamente a população, pois sabemos de antemão, que qualquer coisa que atrapalhe, mesmo que por pouco tempo, que tire um pouquinho só o conforto dos cidadãos, mesmo que seja para beneficiar mais tarde, gera muitas reclamações. Pois bem: em frente à Catedral, por ser uma praça muito grande (900 m2), coube o projeto, coube o lugar de colocar o material e ainda deu para o trânsito ocorrer sem interrupção.

O trecho teria que ser central para ser visto e CRITICADO pela população - tanto no sentido de aprovar como desaprovar. Num bairro, a circulação é só das pessoas ligadas ao bairro. Neste ponto, a SUA AVALIAÇÃO  é muito importante. Além deste blog, estamos bolando uma maneira da população dar opiniões.

O trecho teria que estar estragado. Quanto a isso, escutei não foram nem uma nem duas vezes: foram inúmeras vezes: "porque não fazer na Rua das Monteiras": a Rua das Monteiras (Rua do Fogo; Rua da Igreja da Luz, é a mesma rua) requer uma logística muito forte, desvio de trânsito, uma compra de pedras para repor de um valor muito alto, um tempo de execução muito maior e é um local que não se adequa de jeito nenhum a um projeto-piloto como o que está sendo feito em frente à Catedral, para justamente, nos informar sobre custos, tempo de execução e etc. É lógico, a Rua das Monteiras está MUITO RUIM. Ninguém nega isso, mas para intervir lá, teremos que ter todas as informações sobre tempo, custo por metro quadrado, verba para pedras, MÃO-DE-OBRA jovem e treinada (que é o que estamos providenciando agora), tudo pronto para poder enfrentar uma empreitada do porte de uma rua daquelas. Com todos os problemas que poderiam acontecer durante a obra.

Outra crítica; porque realizar no centro (privilegiado em todos os sentidos) ao invés de fazer em um bairro - Respondo: a verba doada pela COPASA ( a COPASA é que está financiando este projeto, nesta primeira fase) foi suficiente para um trecho de 120m2. Sendo assim, não teria como ser feito em um bairro sem cometer injustiças com os demais.
Além disso, um dos objetivos do projeto é ser visto. No centro, certamente está sendo visto. As críticas a gente responde, pois elas são sempre benvindas e nos ajudam a pensar e agir melhor.

Quanto à questão eleitoral: peço que dêem uma olhada em uma postagem mais antiga que esta: a do dia 17 de julho - uma que conta toda a história do projeto. Vocês vão perceber que lancei este projeto há oito anos, e por isso mesmo,passou por três administrações diferentes. Se o Dr. Paulo Célio, na atual administração adotou o projeto e a COPASA o financiou, isso nada tem a ver com política.

Escrevo ainda que, por ser uma técnica esquecida há mais de sessenta anos, não havia como fazer um projeto para restaurar um grande trecho ou mesmo todo o centro, ou bairros, ou o que seja, sem ter pessoal treinado e capacitado para tal. Simplesmente, todos os calceteiros que ainda se lembram, mesmo que pouco de como era a técnica, já estão aposentados, doentes, ou fracos para enfrentar um serviço destes. Esta oficina é portanto, um esforço de reunir estes antigos profissionais para ministrarem um treinamento aos que ainda estão na ativa e jovens. Assim, futuros projetos podem ser propostos e aprovados, a partir da formação de mão-de-obra treinada.

Finalmente, para os moradores de bairros que se mostram insatisfeitos, tanto pelo fato de não serem contemplados pela reforma do calçamento do seu bairro ou pelo fato de não terem um asfalto, informo que um próximo passo, já bastante comentado é que se pretende retirar pedras de ruas afastadas do centro histórico e com isso fazer um estoque de pedras para restaurar o centro. De onde for retirada estas pedras, se pretende bloquetar ou asfaltar. Isso é projeto para um futuro próximo, penso eu. E para que isso ocorra, estejam certos de que esta oficina está colaborando, e muito.

Concluindo, caros internautas, obrigado mais um vez pelas críticas, sem elas eu não estaria esclarecendo nem aos críticos e nem ao restante da população que torce para que o projeto Acerta Pedra dê certo.

Aproveito então, e agradeço a todos aqueles que foram lá (e não foram poucos!), nos levando uma palavra de apoio, de positividade, a todos que, tendo acompanhado comigo e conhecido todo o projeto, desde o início, foram lá para dizer: ATÉ QUE ENFIM!   ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA!

Pois é, caros internautas, vocês que tomaram conhecimento do projeto no jornal on-line que foi editado ontem, saibam, que tem UM MONTE DE GENTE, muita gente mesmo, daqui e de fora, que acompanha este sonho há mais de oito anos! Isso mesmo! A estes, a todos os amigos leitores, o meu muito obrigado, de coração!

E por fim, convido-os a conhecer mais, tanto por este blog, como visitando o canteiro de obras, todos serão bem vindos lá. As criticas são sempre bem vindas, todos os dias temos muito a aprender, justamente de quem vem com um olhar crítico de fora, sem ter participado de nada - estas críticas são muito importantes porque não têm o viés de alguém que participou, que torce por aquilo.

Vou postar uma foto do conteiro hoje à tarde: retiramos a terra velha, a areia preta, ressecada e colocamos um cascalho argiloso, excelente, muito bom para compactação.
Meu amigo - Norberto Hélio, escolhendo o cascalho, na fonte!

Espalhando o cascalho (direita) e retirando a terra velha - à esquerda

Amanhã: compactar e começar a assentar os traços - vale a pena ir lá - deve ficar bonito, penso eu.

Ricardo Lopes Rocha

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Primeiro dia no canteiro de obras

Pessoal, na segunda feira, hoje, dia 20 de julho, a Oficina de Calceteiros / Acerta Pedra foi muito legal. Muitos amigos passando, me cumprimentando, me senti apoiado por todos eles. Quero então, compartilhar com vocês algumas fotos do que ocorreu hoje; estou em casa com os pés doendo, mas como mesmo disse um dos carinhas lá, ao me ver chegar de chinelo, de manhã: "opa! de chinelo não pode nem entrar aqui - olha o acidente" e ele tem razão - fiquei fora e de tarde, fui com tênis, com pé doendo e tudo, mas valeu muito a pena. tem um monte de fotos, mas vou postar algumas só. Do início, e depois do final da tarde, quando já havíamos retirado 99% das pedras que precisamos retirar. Amanhã, é o dia de retirar terra para colocar uma outra, mais cascalhenta, para compactar e só então, nas quarta feira, começarmos para valer, o assentamento das pedras, desta vez, bem alinhadinhas, niveladas e reconstituindo o traçado original.
Aguardo todos vocês lá!
Um abraço.
Eu de camisa amarela. À minha direita, Balbino; à minha esquerda, Tarcísio. Agachado, de camisa branca, Adilson, o encarregado da turma da prefeitura e atrás dele, em pé, Aderilson, representante da COPASA






Início da retiradas das pedras - foi rápido - muita gente trabalhando!



De tardinha, quase retirando tudo

Após a segunda feira, garrado - retiramos tudo, faltou tirar uma ou outra pedra. Amanhã vamos retirar uma camada de terra de mais ou menos uns 15 cm e depois colocar uma outra, compactar, já preparando para a recolocação das pedras.