sexta-feira, 17 de julho de 2015


Esta é a Praça em frente à Catedral Metropolitana de Diamantina, Praça Conselheiro Mata, da qual foi escolhido este trecho para ser restaurado pelo projeto Acerta Pedra, que se transformou na Oficina de Calceteiros / Acerta Pedra, por meio de um projeto da Secretaria de cultura de Diamantina.
Venha visitar o canteiro de obras durante a semana que vem, de 20 a 30 de julho de 2015 e aprender um pouco desta arte dos calceteiros, uma quase exclusividade de Diamantina




Conheça um pouco do Projeto Acerta Pedra

Um dos aspectos marcantes do Centro Histórico de Diamantina é o calçamento em pedras. Antigamente as ruas foram recobertas por pedras oriundas do garimpo, que eram roliças e davam  aspecto de um doce comum na região, o pé-de-moleque. Em meados dos anos 1940 a 1960, iniciou-se a renovação do calçamento das ruas da cidade com um novo estilo de pedras e também na disposição das mesmas. Chamado de calçamento romano ou calçamento “recunhado” era feito com as chamadas “pedras-laje” e veio para substituir o pé-de-moleque.
Este novo estilo, praticamente único no Brasil, inspirado nas calçadas da Roma antiga, se caracteriza por ter as pedras perfeitamente encaixadas, sem espaços entre elas, sendo que as próprias pedras fornecem a estabilidade ao conjunto, pelo fato de serem colocadas apertadas umas às outras, daí o nome: “recunhado” – uma alusão às cunhas de pedra que as apertam.
Dentre as pedras-laje, as “capistranas” se destacam por serem mais largas, por estarem enfileiradas no meio da rua e segundo o saber local, serviam para as damas passarem mais confortavelmente com seus saltos. As “linhas” ou “traços” são pedras-laje lapidadas que servem para demarcar as vias de tráfego. O entrecruzamento destas “linhas”, formam os “canteiros”, espaços geralmente de dois por dois metros, que são preenchidos por “matacões” – pedras-laje sem forma definida, que preenchem os “canteiros” para depois serem recunhados com as lascas de pedra, provenientes do próprio processo de lapidação.
Estas técnicas eram de domínio dos calceteiros, na maioria das vezes funcionários públicos. Por demandar mais tempo para ser realizado, o calçamento recunhado caiu no desuso e as pedras-laje passaram a ser simplesmente colocadas no solo e os espaços entre elas preenchidos com cimento, acelerando o processo. Entretanto, ao usar o cimento como rejunte, as pedras se deslocam com mais facilidade até se soltarem completamente, gerando desníveis que dificultam o caminhar e o trânsito de veículos.
Com o objetivo de resgatar a técnica do calçamento recunhado a fim de formar mão-de-obra jovem de modo a possibilitar recuperação do calçamento de maneira gradual, mas contínua, a Prefeitura de Diamantina, através da Secretaria de Cultura, Turismo e Patrimônio estabeleceu parcerias com o Projeto Acerta Pedra do diamantinense Ricardo Lopes Rocha e a COPASA por meio do Sr. Vilson Amorim que intermediou o financiamento desta a Oficina de Calceteiros/Acerta Pedra.
O calçamento de Diamantina é uma mostra da arte dos nossos antepassados, que, instintivamente, usavam a escória do garimpo para calçar nossas ruas. Uma lição de arte e sustentabilidade.
Devido ao fato de primar pela calma, amor ao ofício e capricho na criação de mosaicos meticulosamente trabalhados, esta arte estava na contramão do corre-corre dos nossos tempos, por isso foi relegada ao esquecimento.
O Projeto Acerta Pedra contou com o apoio do círculo de amigos do seu idealizador, do IPHAN, dos jornais Voz de Diamantina e Gazeta Tijucana, Rádios 98 FM, Rádio Cidade, Rádio 97 FM e TV Vale.
Com o apoio definitivo do Prefeito Paulo Célio de Almeida Hugo, dos secretários de cultura, Walter Cardoso França Júnior, e de obras, Daniel Martins da Silva, foi possível tornar realidade este projeto piloto que vem para servir de vitrine a futuros recalcamentos de trechos de ruas em Diamantina.
Fruto da criatividade dos nossos antepassados, temos sob nossos pés, uma verdadeira obra de arte que continua prestando serviço e sendo usada diariamente sob a forma de pavimento.
Seja bem vindo ao canteiro de obras da Oficina de calceteiros Acerta Pedra.
Esteja à vontade para apreciar esta arte genuinamente diamantinense.


Equipe da Oficina de Calceteiros – Acerta Pedra

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Mais uma árvore agressiva vai ao chão!
Diamantina está prestes a se transformar em uma cidade bem mansinha. Pelo menos no que tange às árvores agressivas, estão acabando com todas elas. Não bastasse a temeridade de solicitar o corte de quatro enormes Ficus na Rua Dr. Álvaro Mata, de uma Sibipiruna nos fundos do conservatório e nesta semana, de uma Spatodea na frente do Conservatório. Segura aí JK, que suas majestosas palmeiras imperiais podem ser as próximas! Sim, porque suas grandes folhas, ficam ameaçadoramente dependuradas e podem cair, danificando veículos estacionados embaixo delas. Como em Diamantina os carros são os itens mais valorizados, não estranharei se considerarem que as palmeiras deveriam ser sacrificadas em favor de meia dúzia de vagas de estacionamento. Uma estupidez desta monta seria até condizente com os desatinos que se tem praticado ultimamente. Numa cidade que valoriza mais o espaço cedido aos veículos e despreza as benesses que áreas verdes fornecem a todos, sem distinção, um desatino destes não é difícil de acontecer. Estou hoje numa cidade chamada Águas de Lindóia, limite de Minas com São Paulo. Estou maravilhado com as áreas verdes que por aqui são tratadas como áreas nobres, tanto em terrenos particulares como públicos. Não é à toa que a cidade é uma potência turística. Bobos são os diamantinenses que pensam que os turistas não percebem o descaso do diamantinense com as áreas verdes. Os jardins nunca são aguados, podados ou replantados. Quando um jardineiro resolve aparecer para cuidar de algum, vai logo com uma roçadeira e corta mato, flores, grama, corta tudo. Bobos são os diamantinenses que acham que a visão do Largo Dom João não imprime uma péssima impressão ao visitante, logo que depara com aqueles jardins tão maltratados, se é que podemos chamá-los assim. O patrimônio protege bem o casario, mas tolos somos todos nós ao pensarmos que antigamente se vivia como hoje, numa cidade sem nenhum verde. Podem conferir nas fotos antigas! Existiam, sim e muitas. Só que, pouco a pouco, foram sumariamente julgadas e condenadas à morte, pela agressividade com o conjunto arquitetônico do casario colonial. Podem me chamar de ecochato e até de coisa pior. Podem dizer que meus protestos são inócuos, que ninguém vai me dar importância, mas que fique registrado em algum lugar que em algum momento, houve uma vozinha que se alevantou contra estas barbaridades que andam fazendo por aí.


Vejam estas fotos abaixo: a primeira para mostrar que as árvores levantam a calçada, mas todos preferem consertar a calçada que cortar a árvore.

Na outra foto, uma visão panorãmica da cidade onde pode se perceber a natureza

Ricardo Lopes Rocha





domingo, 1 de setembro de 2013

Turma de alunos e professores da escola Coronel Francisco Ribeiro em visita à Diamantina. Esta foto foi feita na Casa da Glória.

sábado, 31 de agosto de 2013

Garimpo real
Na sexta feira passada, estiveram em Diamantina, uma turma de estudantes, pais e professores da cidade de Coração de Jesus para uma visita. O chefe da excursão, professor e amigo de longa data, me pediu para guiá-los. Um dos passeios agendados para a turma era a visita ao Garimpo real, do Belmiro Nascimento, outro amigo de infância. Não é necessário descrever a satisfação de estar mostrando Diamantina, rodeado de amigos. Mas quando o Belmiro iniciou a sua palestra sobre o saber garimpeiro, ficamos todos extasiados com o domínio que tem sobre esta arte a que se dedica. Com uma simpatia que envolveu a todos, conseguiu que o grupo, grande (50 pessoas) pudesse entender um pouco do que se trata a verdadeira arte garimpeira e a vida movida pela paixão, sonho e fé dos garimpeiros. Para quem vem visitar para realmente conhecer a história da nossa cidade, este é um passeio indispensável. Numa cidade que se formou pela exploração do ouro e do diamante, a arte do garimpo deve ser a primeira coisa a se conhecer. O que é mostrado no Garimpo Real do Belmiro está muito distante do que a mídia costuma publicar, como uma atividade predatória e irresponsável. Dentre inúmeras coisas que conversamos enquanto durou o passeio, comentou que tenta, há bastante tempo, transformar este conhecimento em patrimônio imaterial. Ao escutar isso, passei a comparar sua luta com a que travamos no Acerta Pedra: no nosso projeto, além de restaurar o calçamento de ruas do centro histórico, um dos objetivos é resgatar a arte dos calceteiros, quase esquecida. Pois a arte garimpeira também está sendo esquecida. Pessoas apaixonadas pelo ofício como o Belmiro demonstrou ser, são difíceis se encontrar, mesmo com o grande número de garimpeiros e faiscadores que ainda existem em nossa cidade. Sendo a atividade inicial que resultou na criação do Arraial do Tijuco, faço uso deste espaço para dar meu apoio a esta causa. A cultura do garimpo, A VERDADEIRA ARTE DO GARIMPO, deve ser registrada e preservada. Se alguém que lê estas linhas acha que estou equivocado e que em Diamantina ainda se faz muito disso, precisa conhecer o Garimpo Real para entender como é possível garimpar naturalmente e respeitando a natureza, da maneira como realmente acontecia. Meditei, durante toda a visita em como os mistérios e lendas que enriquecem nossa história têm sentido e clareza.
Ricardo Lopes Rocha